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Lisboa,

BPN Crédito já saiu dos mãos do Estado

O contrato de promessa foi assinado em Julho. A venda ocorreu em Dezembro. Esperava-se que fosse mais cedo. O atraso significou menos custos para o Estado. Entraram 36 milhões de euros pela alienação. Mas houve perdas.

O BPN Crédito já não é do Estado. O Estado teve, com esta entidade do nacionalizado grupo BPN, encargos de 57,5 milhões de euros. A alienação rendeu 36 milhões. Ou seja, esta instituição do BPN, com actividade independente e que não fora vendida ao BIC, acabou por causar prejuízos ao Estado – mas inferiores ao esperado.

“Foi hoje concretizada, pela Parparticipadas, a venda da totalidade do capital social do BPN Crédito IFIC à Firmus Investimentos, uma sociedade cujos últimos beneficiários são as entidades CS Capital Partners e a Eurofun, de direito inglês e de direito português, respectivamente”.

O comunicado, com esta declaração, foi publicado esta sexta-feira, 12 de Dezembro, no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A operação já havia sido anunciada em Julho, quando foi assinada a promessa de compra e venda. O preço da aquisição, feita pela sociedade Firmus Investimentos, é de 36 milhões de euros. Quase tanto como os 40 milhões que o BIC pagou pelo BPN.

Nessa altura, estimava-se que os custos com o BPN Crédito ficassem na ordem dos 62,9 milhões de euros. Foram inferiores: ficaram nos 57,5 milhões, explicou ao Negócios o presidente da Parparticipadas, Bruno de Castro Henriques. Esperava-se que a transacção fosse concretizada mais cedo. Não aconteceu. E este atraso acabou por ser positivo, dado que reduziu os custos enfrentados. Houve necessidade de fazer ajustamentos e as autorizações dos reguladores demoraram-se. Os encargos enfrentados pelo Estado são metade daqueles que iria ter de suportar caso tivesse de fechar o BPN Crédito, defende o gabinete de Maria Luís Albuquerque.

“Com esta transacção, dá-se continuidade ao processo de venda das participações sociais que foram transferidas do Banco Português de Negócios, S.A. para o Estado em Fevereiro de 2012″, indica o documento. Ou seja, é mais um passo na reprivatização do banco que foi nacionalizado e que causou perdas que ainda não se conseguem calcular, mas que são da ordem dos milhares de milhões de euros.

Metade dos postos assegurados

Em Julho, o comunicado do Ministério liderado por Maria Luís Albuquerque referiu que, no caso do BPN Crédito, a “compradora comprometeu-se ainda a manter um número significativo de postos de trabalho”. Não são especificados quantos. O Governo só disse, na altura, que a alternativa, que passaria pela liquidação, “implicaria a perda de todos os postos de trabalho”. O Estado acredita que, pelo menos, metade continuarão a pertencer à força de trabalho.

No relatório e contas do ano passado, o efectivo de trabalhadores atingia os 184, entre administradores, directores, técnicos e administrativos.

Quem são os compradores

Os compradores desta unidade do BPN, uma das heranças que ainda pesava nas contas do Estado, são a CS Capital Partners, um fundo de investimento gerido pela londrina Cabot Square Capital, e a Eurofun, empresa portuguesa presidida por Luís Monteiro d’Aguiar que, de acordo com o comunicado, tem “experiência na gestão e reestruturação de activos bancários e de empresas de serviços financeiros em diversos mercados”. A transacção é feita entre a Firmus Investimentos, que reúne estes dois parceiros, e a Parparticipadas, a sociedade estatal onde foram concentradas as subsidiárias do BPN.

Há quase dois anos que se prolongavam as negociações para a concretização da venda desta unidade de crédito, fundada em 2003, nacionalizada com o banco em 2008 e integrada na Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, através do veículo Parparticipadas, em 2012. No relatório do ano passado, o BPN Crédito escrevia que esperava que a sua alienação ocorresse em 2014. Foram convidadas 31 entidades para que analisassem a aquisição do BPN Crédito mas só quatro apresentaram uma proposta. Ganhou a Firmus Investimentos.

Fonte: Jornal de Negócios